Terra Magazine

outubro 31, 2008

Correa faz defesa enfática de moeda única na América Latina

Tags: - cia2008 às 12:13 pm

Na Cúpula de San Salvador avançou-se um passo mais na busca de novos rumos para a América Latina. A estreita relação entre o tema “Juventude e Desenvolvimento” e o atual colapso do modelo neoliberal foram mencionados por muitos mandatários.

Nas palavras da presidenta chilena Michelle Bachelet, “a crise internacional vai ameaçar seriamente os avanços da região na luta contra a pobreza e vai afetar especialmente os mais jovens”.

Presidentes latino-americanos

Quatro presidentes e uma presidenta se destacaram na contribuição para esse debate urgente.

Luiz Inácio Lula da Silva: Por um estado forte

O presidente brasileiro recordou enfaticamente que os adolescentes e os jovens adultos de até 29 anos “passaram praticamente sua infância e adolescência sem que a economia de seus países crescesse, porque foram os anos duros da dívida externa”.

Sem educação, formação profissional ou trabalho, eles formam, para Lula, ”a maioria que lota as cadeias… é lamentável que esses jovens que foram vítimas de políticas econômicas excludentes estejam presos enquanto os responsáveis por essas políticas continuem sendo autoridades espalhadas em todos os países de nosso continente”.

Os governos atuais estariam cuidando desses jovens como produto do “desprezo deixado pela geração do Consenso de Washington”, disse Lula. Ele fez uma defesa veemente do papel do Estado como agente de inversões da situação econômica: “Enfrentaremos esta crise assegurando que o Estado assuma a responsabilidade de não permitir que sejamos vítimas de uma crise que não construimos”.

Evo Morales: Superar o capitalismo

“O capitalismo não é nenhuma solução para os povos”, disse o presidente boliviano, retomando um discurso que já levou a diferentes foros internacionais. “Agora que está em crise, (o capitalismo) pede ajuda para salvar-se à custa dos pobres, explorando o homem e saqueando os recursos naturais”.

“Pensar em salvar o capitalismo novamente seria um equívoco”, assinalou. “Quando ganham, bem; quando perdem, ajudem-me… Estamos obrigados a trabalhar de maneira conjunta”. O capitalismo “nos traz crise alimentícia, as privatizações”, disse Morales.

Ele rechaçou o uso de terras para produção de biocombustíveis, como no Brasil, mas esclareceu que apesar dessa diferença com Lula, “temos respeito e amizade”. Necessita-se “deixar de pensar em ganância, e sim em alimentos para o ser humano, produzir para a vida”, destacou, ao propor uma “segurança alimentar com soberania”. Há, segundo ele, que se “democratizar a economia mundial”.

À parte dessas reivindicações, Morales mencionou uma série de medidas tomadas pelo seu governo, como a fundação de três universidades indígenas onde se ensinará em aimará, quéchua e guarani.

Cristina Fernández de Kirchner: Os fundos de pensão

O discurso mais apaixonado e contundente da Cúpula foi prununciado pela mandatária argentina. “Há que se chamar as coisas pelo nome que elas têm, para evitar confusões”, declarou Cristina Kirchner. E cumpriu com sua palavra.

“Estamos diante do fracasso de um modelo que se instalou, ao final da década de 80, e que dominou todo o cenário internacional durante a década de 90, que foi o modelo neoliberal”. Um dos exemplos mais claros do “fracaso inevitável”, produto da sua “genética estrutural”, é a Argentina, expôs Kirchner.

“Os jovens não poderão ter desenvolvimento em uma sociedade onde o modelo de crescimento e o modelo de acumulação se pretenda fazer com a desaparição do Estado, a desregulação absoluta dos mercados e o mais cru darwinismo social”.

“Que relação brutal tem, então, este momento que estamos vivendo com o tema da juventude e do desenvolvimento? Pode-se imaginar programas, políticas setoriais, mas nenhum terá êxito se não se inscrever em um modelo de acumulação diferente”.

Kirchner insistiu que há uma “distorção formidável de comunicação” - sem dúvida, uma caracterização acertada do panorama midiático global. Exemplo mais recente, disse a presidenta, seria a mudança do manejo dos fundos de pensão argentinos decidido por seu governo:

Durante os anos 90 acreditou-se em um sistema de capitalização, retirando da administração do Estado os fundos de aposentados e pensionistas, e entregando-os a empresas privadas, a sociedades anônimas para que os administrassem. O Estado ficou, então, com o pagamento de todos os que até esse momento eram aposentados, e todas as constribuições dos trabalhadores que não haviam optado passaram ao setor privado.

Só esta medida - que não registra antecedente em nenhum dos países desenvolvidos - explica quase os 50% da dívida externa argentina. Para ser mais preciso, 42% do endividamento argentino se deve ao ‘desfinanciamento’, que significou passar a administração de pensões e aposentadorias ao setor privado.

Hoje, na Argentina, existe o Sistema Público de Administração de Aposentadorias e Pensões, que ao cabo desses anos, e recentemente a partir de 2003, começou a dar aumentos a seus aposentados e pensionistas, 13 aumentos consecutivos, elevando o piso a 690 pesos. O que aconteceu no Sistema de Capitalização privado? Ele hoje tem 450.000 aposentados; desses, 77% precisam ser assistidos pelo Estado, pelo setor público, pelo Estado Nacional, que transfere 4 milhões de pesos ao setor privado, porque não alcançaram o piso de aposentadoria mínimo.

Por que conto essas coisas? Antes de entrar aqui, o senhor Secretário Geral da Ibero-América me dizia enquanto eu comentava esses números: ‘conte-os, diga-os’. É certo que há uma grande distorção na comunicação; disseram que a Argentina estatiza os fundos de pensão.

A Argentina muda a administração dos fundos de pensão, que não são nem do Estado, nem das administradoras, mas dos aposentados e pensionistas, e passa a administração do setor privado novamente ao setor público.

Por várias razões: a primeira, porque não soa muito eficiente, em termos de administração, que o Estado tenha que utilizar fundos públicos para atender ao sistema privado, que diziam que iam gerar um grande mercado de capitais, que tampouco existiu e que, ademais, ia permitir que os aposentados e pensionistas, no sistema privado, ganhassem mais. Não é assim: diminuíram exponencialmente suas contas e se o Estado, o público, não desse assistência a esses aposentados privados, 77% teria incompleto seu piso de aposentadoria.

Mas se tudo isso for pouco, ademais, o setor privado destina dos fundos dos aposentados quase 10% em gastos de administração, enquanto que o Estado, o sistema público, somente utiliza 2,5% do sistema para administrar todas as aposentadorias.

Como podem ver, uma grande distorção de comunicação muitas vezes permite que determinadas idéias, de políticas que têm a ver com os interesses das grandes maiorias e dos Estados, são postas de maneira prolixa e repetidas de um só ponto de vista, com o mínimo da realidade.

O certo é que esta experiência é pequena se se obsrvar como um sistema de aposentadoria, mas tremenda ao ver o que isso significa, em termos de futuro para aqueles que trabalharam toda uma vida.

Álvaro Colom: Na diversidade reside nossa força

A América Latina deveria abandonar o esterótipo que lhe inferem e desenvolver “seu próprio projeto” baseado na coesão social e na solidariedade, propôs o presidente da Guatemala, ressaltando a dimensão cultural para superar a crise: “O que faz grande a Ibero-América é a diversidade, a pluralidade de culturas”.

“Cada vez que escuto Evo me sinto repreendido”, disse de bom humor, ressaltando o feito histórico de contar com um “presidente aimará” entre seus colegas.

A Guatemala, sustentou, “não tem porque pagar o fracasso de um modelo que nunca quisemos”, e acrescentou: “Desta Cúpula poderíamos tirar um espírito de que a Ibero-América se desligue de invasões”.

Colom mostrou-se partidário de um modelo “humano, forte, não confrontador”.

Rafael Correa: Propostas concretas

O presidente equatoriano foi muito além dos demais e apresentou duas propostas concretas: uma “nova arquitetura financeira regional” e uma economia pós-petroleira para evitar a contaminação da crise. Antes, pediu para “jogar no lixo” o sistema de Bretton Woods, com organismos como o FMI e o Banco Mundial, “que não têm servido para nada”: “Temos que transformar, não remendar”.

O processo de integração latino-americana proposto pelo jovem economista teria três componentes básicos: o Banco do Sul, um fundo comum de reservas regionais e uma moeda eletrônica regional.

O Banco do Sul foi constituído pela Argentina, Bolívia, Brasil, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela, em dezembro de 2007. Desde então, não se concretizou. Para Correa, deveria constituir-se em um “núcleo de uma rede alternativa de bancos de desenvolvimento”.

A criação de um fundo regional de reservas poderia desembocar em um sistema de banco central regional. “Já não caiamos no absurdo de manter essas reservas em bancos centrais que as investem no primeiro mundo”, disse o equatoriano.

A moeda eletrônica regional deveria substituir o dólar como moeda utilizada nos intercâmbios regionais. Para Correa, seria o primeiro passo para uma moeda regional: “E por que não? Se a Europa pôde fazer, por que nós não podemos?”

Em seu discurso deixou claro que vê esses esquemas regionais como instrumentos para fortalecer a posição da América Latina frente aos Estados Unidos, e também frente à Europa.

Outro sinal dos tempos: na Cúpula, os governos da Argentina, Brasil e México, membros do G-20 - que agrupa os países industrializados e alguns emergentes -, prometeram interceder junto aos Estados Unidos para que a Espanha seja convidada à próxima regunião do grupo, em Washington.

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13 Comentários »

  1. “Se a Europa pôde GAZER, por que nós não podemos fazer?”

    Mas mesmo assim eu acho que nós temos que criar a moeda eletrônica regional. Aliás, nós temos que fortalecer as relações entre os países da América Latina o mais rápido possível; mas os países dessa região são tão politicamente instáveis que isso acaba sendo um desafio ainda maior. E por mais que se diga que o presidente Lula tem uma posição de destaque nas relações da AL, nós sabemos que ela é muito fraca, faltam propostas. Esse é o principal problema, falta alguém com real comando, com reais propostas e que leve a discussão adiante.

    Comentário por Rian — outubro 31, 2008 @ 12:54 pm

  2. Moeda única…. Por que um presidente de um pais que explusa empresas do país tem uma idéia dessas!? Imagine criar uma moeda única com Sr Chaves, Evo Maluco Morales, e Cia limitada. Com uma turma dessas como parceiros o Brasil está bem arrumado

    Comentário por Raul Mendonça — outubro 31, 2008 @ 12:54 pm

  3. Apesar de não concordar com algumas questões do presidente do equador, concordo com as propostas de um banco central regional, que possa ajudar aos países da região numa situação desta que o muno vive. Países em bloco têm mais força que isoladamente. Outra questão da criação de uma moeda única na região é outra boa idéia. Quando foi criado o Euro, também houveram inúmeras críticas mais hoje a moeda é até mis forte que o próprio dólar.

    Comentário por Humberto — outubro 31, 2008 @ 1:03 pm

  4. Quem é esse dinossauro esquerdopata que escreveu essa porcaria ?

    Comentário por Carlos Eduardo Linus — outubro 31, 2008 @ 1:06 pm

  5. Do Correa, Banco do Sul já existe. Chama-se BNDES e vc deu calote nele.

    Comentário por Pedro — outubro 31, 2008 @ 1:07 pm

  6. A força de uma moeda tambem esta na quantidade de pessoas que há usam, por isso ter uma moeda para transações entre os paises do continente é importante. Assim não dependeriamos mas do dollar e muito menos do Euro. Quanto ao Banco Regional, havendo garantias serias de comprimento dos pagamentos seria importante pois os paises poderiam emprestar entre si novamente fortalecendo uma moeda regional. Precisamos resolver algumas diferenças históricas entre os paises do bloco.

    Comentário por Alexandre Ramos — outubro 31, 2008 @ 1:09 pm

  7. Fazer integração com gente que dá calote? Outro que despropria e não indeniza. Outro que tem vocação pra ser ditador, uma populista que estatiza fundo de pensão (quem disse que por ser estatal vai ser melhor gerido?).
    Madar todo este povo tomar no C…

    Comentário por Pedro — outubro 31, 2008 @ 1:09 pm

  8. Moeda unica, integração, etc…tudo isso exige antes de tudo um relativo equilibrio entre os países. A Europa nao fez isso da noite para o dia e acaba até mesmo determinando hoje em dia, alguns compromisso políticos entre seus países. Entre esses compromissos está um regime democrático, coisa que, tirando o Chile e o Brasil dos últimos vinte anos, os demais países sul-americanos parecem nao conseguir se enquadrar. Bravatas populistas e slogans esquerdofrênicos só aparecem nessas ocasiões de crise que aliás. exatamente devido a medidas racionais tomadas nos ultimos anos no Brasil e no Chile, permitem e esses países um desempenho razoável ao que seria observado em outros tempos, mesmo diante de cirses menores.

    Comentário por Pedro — outubro 31, 2008 @ 1:18 pm

  9. A moeda eletrônica, como uma camara de compensação entre os países é uma ótima idéia. Foi esta a alternativa proposta por Keynes, que não foi aceita pelos EUA por não consolidar seu poder no dólar, e foi suplantada pelo falido modelo de Bretton Woods. Não diria expandir até a moeda única pois seria de mais pensar nisto neste momento, mas a camara de compensação é possível e traria grandes benefícios, inclusive, limitando os efeitos de uma possíves escassez de reservas que limitariam as importações.

    Comentário por Bruno — outubro 31, 2008 @ 1:54 pm

  10. Moeda unica para nao depender do dolar e do euro,vejo que alguns que fizeram comentarios sao analfabetos sobre economia e finanças.Os paises que fizeram a reuniao querem socializar a pobreza,a argentina esta quebrada,o FMI nao vai emprestar dinheiro a ela,ela economicamente hoje pertence ao chavez que comprou seus titulos,chavez com este preço do petrolio esta em um atoleiro,Correa que peso tem o equador,nenhum fora o chile o resto nao e nada,vamos olhar com menos ideologia e mais inteligencia.Lula dizia antes da crise que ia ensinar o bush ,que o real valia mais que o dolar.Hoje no mundo qual a moeda mais procurada e que mais valorizou,o dolar ou o real?

    Comentário por jord — outubro 31, 2008 @ 2:01 pm

  11. Moeda Unica significará acabar com o Real, a Unica Moeda da America Latina, e entregar nosso destino aos Correa, Morales, Kirchner, Ortega, Castro eoutros que virão.
    Moeda Unica significará o Brasil sustentar todas estas economias falidas começando com a do Equador que nem moeda nacional tem ,eles usam o dolar e estão desesperados.
    Moeda Unica somente se for o Real e e se for administrada pelo Copom e pelo Banco Central do Brasil.

    Comentário por Miguel.Carvalho — outubro 31, 2008 @ 2:54 pm

  12. É muito simples, falar em criar um banco, porem quem vai colocar o dinheiro? Que será o beneficiário? Com certeza não será o Brasil, e uma política errada, com certeza paises como Equador, Bolívia e Venezuela não comprem com as suas obrigações básica em seus contratos será um erro ter um Banco ou mesmo uma Moeda única, concordo se houver uma mudança de visão, ai sim poderia funcionar.

    Comentário por Eddy — outubro 31, 2008 @ 2:55 pm

  13. O NOSSO PRESIDENTE DEVERIA VERIFICAR QUEM É AMIGO OU NAO DO BRASIL ! POIS ELE AJUDA TANTO A BOLIVIA ,E RECEBE UMA FACADA NAS COSTAS DO SENHOR EVO IMORALES SOBRE OS BIOCOMBUSTIVEIS !

    AGORA SERIA BOM RELEMBRAR O SENHOR EVO SOBRE OS MILHOES DE EQUITARES DE FOLHA DE COCA, QUE A BOLIVIA TEM E SEMPRE PLANTOU . SERA QUE EM VEZ DE PLANTAR FOLHA DE COCA NÃO PLANTARIA O QUE COMER PRO SEU POVO APOSTO QUE DARIA MAS EMPREGO E MATARIA A FOME DO SEU POVO ! E POR ISSO , DEIXARIA DE AGREDIR E COLOCAR A CULPA NO CAPITALISMO.

    Comentário por FABIO — outubro 31, 2008 @ 3:19 pm

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